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Link Lab da AEP juntou no TECMAIA mais de meia centena de empresários

O grande desafio hoje é capitalizar a economia digital e colocá-la aos serviços das reais necessidades e desafios das empresas, salientaram os oradores do painel dedicado à Economia Digital no Link Lab Maia, promovido pela Associação Empresarial de Portugal, Câmara de Comércio e Indústria, com o envolvimento da Deloitte Portugal, que decorreu na quinta-feira, 30 de maio, no TECMAIA. O evento, que encerrou com um almoço de networking, discutiu a importância do investimento e da cooperação para a competitividade das empresas e da economia portuguesa.
Paula Silvestre, diretora para a Área da Competitividade da AEP, salientou que em 2018 Portugal desceu seis lugares no ranking mundial, nomeadamente em dois dos fatores críticos que o AEP Link foca, a inovação e a economia digital, pelo que é fundamental trabalhar no coletivo, cooperando, para ter ganhos de competitividade. O objetivo do projeto é ajustar as soluções às reais necessidades das empresas.
Já Pedro Janeiro, da Deloitte, realçou que o segredo do projeto está, efetivamente, em conhecer aprofundadamente as necessidades das empresas para poder dar respostas concretas, explicando que é esse trabalho que a AEP está a levar a cabo, de forma a poder colaborar com as empresas que queiram crescer, em parceria. O primeiro passo é, como referiu, o preenchimento do questionário do AEP Link, que afere essas necessidades.
A Gonçalo Azevedo Silva, da Deloitte, coube apresentar o dashboard económico, onde está disponibilizada informação nacional, regional e setorial que as empresas podem usar para estudar o seu posicionamento e a concorrência. O portal AEP Link, hoje explicado por Júlio Boga, também da Deloitte, inclui, entre outras funcionalidades, o registo (gratuito) que dá acesso à área reservada e, nomeadamente, à bolsa de oportunidades onde as empresas podem colocar as suas oportunidades e procurar parceiros adequados aos seus objetivos, ou encontrar oportunidades de investimento.
Ana Sofia Silva, chefe de redação do Maia Hoje e do Jornal da Maia, moderou o painel dedicado à Economia Digital, promovido pela Konica Minolta. Vitor Andrade, diretor-geral da Carnes Meireles do Minho e sócio-gerente da Global Valor Consultores, explicou que as suas empresas têm procurado usar a economia digital para inovar na forma de abordar o negócio e chegar aos clientes, tendo em conta a dispersão das suas 40 lojas, por exemplo através das opções de compra, nomeadamente através do e-commerce – mesmo com as particularidades e exigências do setor alimentar –, da internet e do mobile, e, internamente, na facilitação de processos e da desmaterialização e à libertação das pessoas para tarefas mais importantes recorrendo à tecnologia. Este é o caminho e é a nossa aposta, salientou o gestor.
Neste painel, Andreia Pancho, marketing specialist da Konica Minolta, contou um pouco da história da transformação digital desta grande multinacional e as ferramentas que desenvolve e coloca à disposição dos seus clientes para que possam, eles próprios, abraçar este desafio.
Levi Leite, diretor-geral da Domingos Salvador, salientou que o grande desafio hoje é capitalizar a economia digital, não cortando, naturalmente, a relação humana que é, aliás, o ponto de partida essencial para a transformação digital. Para a sua empresa a tecnologia é fundamental, porque permite, por exemplo, analisar dados hoje para responder ao cliente hoje de forma a que ele possa tomar decisões em tempo oportuno. Na nossa área temos de estar sempre na vanguarda da tecnologia, e também hoje temos mais empresas que seguem este caminho, explicou.
Ângelo Alves, chief information officer da The Fladgate Partnership, defendeu que o caminho hoje é o do digital, é um desafio para as empresas. No seu grupo, a transformação digital tem alguma complexidade já que trabalha em diversos setores, como os vinhos do porto ou o turismo, áreas em que os canais online têm um grande peso. Ligar a tecnologia à tradição, inovando mantendo as relações com as pessoas, acrescentar valor à oferta para a tornar mais atrativa, são alguns dos desafios.
O que falta às empresas para conseguir concretizar a economia digital, questionou Ana Sofia Silva. Vítor Andrade defendeu que há muito ainda a fazer e é fundamental unir os esforços de todos – Estado, empresas, instituições de ensino, etc. –, e apostar na formação e sensibilização também dos empresários, que devem dar o primeiro passo definindo a estratégia digital para as suas empresas. Já para a Konica Minolta, a relação com o cliente é fundamental porque é um tipo de negócio que exige a confiança na empresa e nas soluções que esta disponibiliza. Sobre este desafio, Levi Leite salientou que estamos em permanente processo de mudança, estamos a formar jovens muito focados no digital que são muito importantes para as empresas, e realçou o papel fundamental da Autoridade Tributária na definição clara do quadro legal e de exigências adaptado à realidade das empresas.
O Investimento foi o tema moderado por Pedro Janeiro, com a presença de António Monteiro, country manager da Iberinform, que promove este painel, que defendeu que o atual nível muito baixo de investimento público tem afetado a própria capacidade de investimento das empresas. A partir da altura em que o Estado é um investidor com níveis negativos, as empresas têm grandes dificuldades elas próprias em investir, já que, nomeadamente as PME, dependem muito do mercado doméstico. Mas, acredita, as empresas estão a reganhar a capacidade e a vontade de investir.
Hugo Roxo, diretor do segmento de empresas do Bankinter, explicou que a banca tem mecanismos mais tradicionais de apoio às empresas, mas a inovação tem existido na forma de analisar os projetos de investimento e adequando formas adicionais de investimento e de apoio às necessidades que as empresas apresentam. Por outro lado, existe muito mais liquidez para apoio a projetos, mas o rendimento destas operações é menor. Na opinião do gestor, as empresas têm de olhar mais para o que as rodeia e menos para dentro, procurando oportunidades de colaboração, nomeadamente fora do sistema tradicional.
O diretor financeiro da Centrimpor, Miguel Esperança, apresentou a empresa, dedicada ao setor do aço inoxidável, que tem tido um crescimento equilibrado e constante ao longo dos anos. Esta evolução permite ter um plano de crescimento claramente definido que dita que a empresa tem de ser rentável no mercado nacional. Esta definição de objetivos a médio e longo prazo é fundamental porque permite crescer de forma consolidada e que aumenta, efetivamente, a rentabilidade: é uma perspetiva estrutural e não conjuntural.
As empresas têm de evoluir na forma como se apresentam e apresentam os seus projetos à banca, muito embora a evolução dos empresários seja muitíssimo grande, defendeu Hugo Roxo. As empresas não estão efetivamente preparadas para fazer bons planos de investimento e é necessário profissionalizar o investimento: este é o maior desafio porque é uma tarefa que depende exclusivamente das empresas que querem pedir o investimento. Por outro lado, relembrou que há outras formas de investimento fundamentais, e que por vezes podem ser a solução para alguns tipos de investimento, como os business angels.
António Monteiro explicou que a Iberinform procura apoiar as empresas na informação que é fundamental para fazer investimento e negócios seguros, minimizando riscos relacionados com clientes ou fornecedores com menos capacidade. A Iberinform dá a informação e as ferramentas e cabe aos empresários analisá-la para "separar o trigo do joio”. 
Miguel Esperança defende a aposta no investimento produtivo. O primeiro passo é definir o objetivo a atingir e estudar as formas de lá chegar e, na Centrimpor, tem sido fundamental a estratégia de "amealhar” para investir – reunir capitais próprios – e recorrer ao banco apenas para o essencial. O constante recurso à banca é um ciclo vicioso que as próprias empresas têm de quebrar.
O painel de inovação foi dinamizado pela Crédito y Caución e contou com moderação de Aldo Maia, diretor do jornal Notícias Maia. A mesa recebeu Paulo Morais, country manager Portugal e Brasil da Crédito y Caución, César Martins, diretor executivo da Chemitek, Augusto Souza Roza, diretor comercial da Fitembal. 
Paulo Morais considerou que as empresas estão melhor preparadas para a inovação, nomeadamente ao nível da gestão, especialmente desde o período de ajustamento económico, que "obrigou” os gestores a encontrar o seu caminho num mercado global - que fizeram muito bem. Augusto Roza lembrou que cerca de metade das empresas portuguesas são familiares e 90% são pequenas empresas, mas que mesmo estas empresas têm agora novos quadros e novas lideranças mais profissionalizadas, que olham para o mercado global com competitividade e vontade de inovar. Para isto, Roza considera que é essencial ter profissionais competentes, de qualidade. 
Sobre as pessoas e a integração de jovens nas empresas, César Martins considera que, culturalmente, o foco está na competitividade do preço e hoje é difícil ao empresário captar talento precisamente por isso; porém, a crise motivou um mercado mais ativo, o que é positivo. Paulo Morais considera que as empresas têm de olhar para o mercado como global – o mundo é o mercado dos jovens – e tendo em conta os salários praticados em Portugal é inevitável a saída da massa jovem para o estrangeiro. É um problema de dimensão o que Portugal tem: temos de olhar para o mercado todo.
Para Augusto Roza só é possível inovar apostando na qualidade e olhando para dentro, para os quadros das próprias empresas. Temos de dar propósito às pessoas, deixá-las liderar e elogiá-las. Isto é a indústria 5.0, é apostar nas pessoas que trabalham connosco e essa postura permite-nos inovar constantemente.
Para César Martins inovação tem muitos sentidos, no fundo é criar algo para resolver um problema. Mas é preciso saber quanto a pessoa que tem o problema está disposta a pagar pela resolução do seu problema: é preciso desenvolver serviços ou produtos diferenciados que deem valor acrescentado e pelos quais as pessoas estão dispostas a pagar, porque isto é essencial para poder pagar justamente às pessoas que estão connosco. 
No mercado de atuação de Augusto Roza (embalagem), inovar é reduzir custos e aumentar a sustentabilidade diminuindo o impacto ambiental. Já Paulo Morais considera que inovação é a associação de serviços que permitam às empresas clientes aceder a um conjunto de ferramentas essenciais ao seu negócio, que impactem crucialmente as suas decisões.
Inovar é também liderar. Saímos mais fortes do período de ajustamento financeiro porque formos obrigados a liderar processos, considera Augusto Roza. Por outro lado, é muito importante conhecer o cliente e o negócio do cliente para correr menos riscos, defende: conhecer o mercado é importantíssimo, ajuda os empresários a não tomar más decisões, a ter maior segurança.
Para César Martins, existe, no que toca a processos de inovação, um gap entre novas ideias e a implementação de empresas e projetos, considerando que deveria haver um meio-termo, especialmente para as start ups. Sobre os fundos estruturais, que poderiam ser parte da solução quando falamos de inovação que requer investimento, Paulo Morais considerou que seria muito mais estimulante para as empresas ter acesso a business angels e outros parceiros, porque os fundos vão geralmente para as maiores empresas, e são sempre as mesmas.  
Considerando a Chemitek como uma empresa inovadora e partilhando a sua experiência, César Martins diz que para criar novas ideias há sempre que descobrir um problema e ver se alguém está disposto a pagar pela sua resolução. Tem de haver uma necessidade, um produto diferenciador que tenha valor acrescentado e seja viável. Já na Fitembal a inovação começou pelas pessoas, e apenas posteriormente avançou para a customização do negócio e foco nos clientes. As lideranças não podem trabalhar sozinhas, considerou, há que trabalhar em equipa, todas as áreas da empresa em cooperação, e isto leva anos. 
Para a inovação a gestão de crédito comercial é também um fator relevante, considera Paulo Morais, porque posiciona as empresas de forma diferente. Analisando a inovação no mercado nacional, César Martins considera que depende da dimensão do produto: se o mercado é reduzido aqui, há que sair. E isto tem acontecido: a perspetiva tem mudado quanto à inovação, há vontade, os portugueses querem fazer coisas diferentes. Augusto Roza elencou ainda outro fator importante que é a estabilidade política que permita cativar investimento estrangeiro, além da competência das pessoas para inovar e liderar.
O encontro terminou com um momento dedicado a oportunidades, negócios e cooperação, da responsabilidade do Tecmaia, que foi moderado por Manuel Oliveira, gestor de projeto do Tecmaia, e em que participou Hélder Fernandes, CEO e co-founder da ViGIE Solutions, e Inácio Fialho de Almeida, presidente da Associação Empresarial da Maia.
Manuel Oliveira destacou que a missão do Tecmaia é precisamente fomentar a cooperação, as pontes e as sinergias entre pessoas e negócios, e instou os convidados do painel a definir o que consideram ser cooperar. Fialho de Almeida refere que cooperar é juntar vontades e interesses e partilhar experiências, e partilhar questões e problemas é também partilhar soluções. O responsável salienta ainda que as associações são um indicador da evolução da sociedade, quantas mais há, mais evoluída esta é. 
Abordando a importância da cooperação, Helder Fernandes assevera que é crucial. A ViGIE está no Tecmaia desde a sua origem e o percurso teria sido mais difícil sem os mecanismos de cooperação que existem no Parque, nomeadamente em formação e apoio à realização do plano de negócio e a própria incubação da empresa. «Foi decisivo e permitiu-nos arrancar de forma mais organizada», assegurou. Estar num parque de ciência e tecnologia apoia a equipa da ViGIE a estar focada no core da empresa, não tendo de pensar em utilities que o próprio parque disponibiliza, como a segurança, por exemplo. É interessante também, diz Helder Fernandes, para promover a comunicação e cooperação entre as empresas que se localizam no próprio Parque.
Analisando a realidade deste tipo de estrutura, Fialho de Almeida diz que as associações são geralmente mais procuradas pelos pequenos empresários que procuram apoio na prestação de serviços, por exemplo, que de outra forma não têm. São também muitas vezes a resposta para os empresários mais jovens, considerou, anunciando depois que, a pensar nas necessidades desse público, o Tecmaia está a trabalhar em cooperação com a Associação Empresarial da Maia para criar um centro de empreendedorismo de referência nacional no espaço.
O Link Lab Maia foi promovido pela AEP – Associação Empresarial de Portugal, Câmara de Comércio e Indústria, que conta com o envolvimento da Deloitte, com o apoio da Konica Minolta, Crédito y Caución e Iberinform, e com a colaboração do Tecmaia. O projeto AEP Link (POCI-02-0853-FEDER-036026) é cofinanciado pelo Compete 2020, pelo Portugal 2020 e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
Créditos das fotografias: Fictionary Road